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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ao ar livre e com livros!


Todos os sábados e domingos, os parques do Carmo (Itaquera), Ibirapuera e Luz (Bom Retiro) recebem o projeto Bosque da Leitura, promovido pelo Sistema Municipal de Bibliotecas, das 9h30 às 16h. Um estímulo e tanto para tornar mais próxima a leitura dos cidadãos que vivem em São Paulo. O evento também acontece no Parque Anhanguera (Perus), Cidade Toronto (Pirituba) e Santo Dias (Capão Redondo, mas apenas aos domingos). Estas duas últimas unidades, aliás, foram inauguradas em dezembro de 2009.

As edições do Bosque começaram em 1993, no Parque do Ibirapuera, e foram disseminadas para os demais bairros a partir de 2006, quando houve aumento na procura do serviço. Eu, apaixonada por livros que sou, não conhecia a iniciativa até desenvolver um trabalho de conclusão de curso, no ano passado, cujo tema é a relação de afeto das pessoas com o objeto livro.

Nos seis parques em que o projeto foi implantado, adultos e crianças, além dos livros, também podem pegar emprestados gibis, jornais e revistas ou participar de atividades como contações de histórias, encontros com artistas, educadores e escritores, oficinas de leitura e saraus. Claro que fiquei encantada, pois acredito mesmo que o contato com os livros, principalmente, colabora para a formação de indivíduos e, consequentemente, de uma sociedade melhor.

Como no Brasil, infelizmente, ainda não há uma tradição de leitura consolidada, embora exista muita gente engajada na disseminação desse hábito, penso que unir um espaço de lazer ao ar livre ao acervo literário disponibilizado pelo município é uma proposta bastante animadora, já que são poucas as pessoas que trocam um final de semana ensolarado de passeio no parque para ficar circulando por estantes e mais estantes das bibliotecas, sejam elas públicas ou privadas.

Não que frequentar uma biblioteca seja ruim, ainda mais quando existem versões dela que possuem acervo separado por temas como ciências, cinema, conto de fadas, cultura popular, literatura fantástica, meio ambiente, música e poesia e que elaboram uma programação cultural com base nisso. É que, paulistanamente falando, tudo o que a maioria das pessoas que conheço quer quando não está trancada no escritório trabalhando é curtir a vida em lugares que proporcionem contato com a natureza.

Então, quando descobri o Bosque da Leitura tratei de divulgar para amigos, familiares e afins. Quase uma militante pró-leitura, o que eu ainda vou ser. O acesso à informação deve fazer parte do cotidiano daqueles que realmente querem que mudanças de ordem econômica, política e social aconteçam. E isso é possível quando há o contato com as palavras impressas tanto em livros considerados clássicos quanto nos tais best-sellers. O mais importante é começar a ler, já que isso nos desenvolve intelectualmente.

Para participar, basta que os interessados emprestem e devolvam o material que leem nos parques em que retiraram, no dia da visita. Almofadas, cadeiras, estantes e mesas estão à disposição dos frequentadores que desejam viajar por uma narrativa fantástica ou aprimorar o conhecimento factual. Segundo o Sistema Municipal de Bibliotecas, o programa atende em média 700 usuários em cada um dos parques onde há Bosque da Leitura instalado. Mais informações podem sem obtidas acessando o site da

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Na beira da praia com um livro na mão


Ir à praia e encontrar no calçadão o poeta Carlos Drummond de Andrade, o escritor Gabriel Garcia Marquez e o paranaense Dalton Trevisan.
Ir à praia e encontrar no calçadão o poeta Carlos Drummond de Andrade, o escritor Gabriel Garcia Marquez e o paranaense Dalton Trevisan. É esse encontro literário que a Secretaria de Estado da Cultura promove, pelo segundo ano consecutivo, durante o verão no litoral paranaense com o projeto Biblioteca na Areia.

Desta vez as bibliotecas foram instaladas dentro de ônibus especiais, preparados para receber cerca mil e duzentos livros para empréstimo gratuito. A estrutura total tem cerca de 60 metros quadrados com um grande toldo e mesas de leitura na parte de fora e no interior do veículo, num ambiente climatizado, os interessados podem escolher as obras do acervo que contempla grandes autores da literatura brasileira e internacional.

O projeto acontecem em Paranaguá, Pontal do Paraná, Guaratuba e Caiobá, totalizando quatro bibliotecas que ficarão abertas diariamente, das 10 às 19 horas, até o dia 21 de fevereiro. Na primeira temporada da Biblioteca na Areia, a população local e os veranistas de férias compareceram em grande número em cada uma das quatro bibliotecas. O movimento nas unidades foi permanente, com uma média de público de 200 pessoas por dia em cada biblioteca e com o empréstimo de 100 livros diários em cada uma.

O sistema de empréstimo é simples. Para emprestar o material, basta o interessado declarar seus dados pessoais, sem a necessidade da apresentação de um documento, para fazer um cadastro. Os empréstimos são gratuitos. Apesar da informalidade do sistema, no primeiro verão o índice de não-devolução foi menor do que 5% do acervo total, o que revela que os leitores respeitam o sistema de empréstimo gratuito de livros durante o verão.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Quem lê vive mais, sofre menos. Leitura evita depressão, problemas de saúde



O "Arrastão Literário Tobias Barreto de Menezes", promovido pelo sergipano Evando dos Santos, o 'Homem-Livro', distribuiu quase mil exemplares na manhã de ontem, nos calçadões do centro da capital. Vestido de livro, chapéu de papel com frases emblemáticas do filósofo jurista Tobias Barreto, o ex-pedreiro natural de Aquidabã, de 49 anos, chamou a atenção dos transeuntes, conquistou a confiança de gente tímida com a entrega de um cordel, declamou poemas e distribuiu clássicos da literatura como Senhora, a quem simplesmente lhe direcionava o olhar. Foi assim que o 'Homem-Livro' mostrou o seu prazer e admiração pela leitura.


"Quem lê vive mais, sofre menos. Leitura evita depressão, problemas de saúde e também resolve problemas sociais. O governo do Estado deveria incentivar mais a leitura, baixar os impostos sobre os livros e promover a distribuição de fac-similares de Tobias Barreto", salienta o bibliógrafo, ressaltando que o Brasil exibe uma vergonhosa média de leitura de 1,8 livros por ano, enquanto a Colômbia já chega a 2,8, resolvendo muitos de seus problemas de inclusão social e até de violência no País.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Livro na cesta básica


Carne, leite, feijão, arroz, farinha, café... A cesta básica do brasileiro, que é o conjunto mínimo de produtos consumidos por uma família durante um mês, pode receber um novo e importante ingrediente: livro!

É o que prevê o Projeto de Lei 4534 de 2004 do deputado Gonzaga Patriota, do PSB de Pernambuco. A proposta diz que, todo mês, dois livros da literatura brasileira devem ser colocados na cesta básica dos brasileiros.

O relator do projeto na Comissão de Educação e Cultura, deputado Severiano Alves, do PDT da Bahia, defendeu a ideia: “Pelo menos dois livros aumentaria muito o acesso ao conhecimento e aos bens culturais", disse.

Andamento
O projeto foi apresentado em novembro de 2004. Depois de aprovado pela Comissão de Educação e Cultura (CEC), em 2007, agora aguarda análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. O relator é o deputado Gerson Peres, do PP do Pará.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Entre os dez livros mais descarregados ilegalmente durante o ano passado através do sistema BitTorrent, três são sobre sexo e erotismo.


O clássico sobre o comportamento sexual humano, "Kamasutra", foi o livro electrónico mais pirateado em 2009 através do sistema de partilha de ficheiros BitTorrent, avança o site Freakbits .

Três dos seis ebooks mais descarregados pelos internautas - qualquer um deles entre 100.000 e 250.000 vezes ao longo do ano passado - são sobre sexo e erotismo. Com efeito, na terceira posição surge "The Complete Idiot's Guide to Amazing Sex" e na sexta "Before Pornography - Erotic Writing In Early Modern England".

Depois de comparar o seu ranking (ver caixa) com o dos livros mais vendidos divulgado pelo " The New York Times ", é com alguma ironia que os responsáveis pelo site Freakbits concluem que "os downloads ilegais não ameaçam os autores mais vendidos".

DEZ MAIS PIRATEADOS EM 2009
1. Kamasutra, por Vatsyayana

2. .Adobe Photoshop Secrets
Manual sobre o popular programa de edição de fotografia

3. The Complete Idiot's Guide to Amazing Sex, de Sari Locker
Guia prático para uma vida sexual bem sucedida

4. The Lost Notebooks of Leonardo da Vinci

5. Solar House - A Guide for the Solar Designer
Tudo, ou quase, sobre como instalar energia solar lá em casa

6. Before Pornography - Erotic Writing In Early Modern England, de Ian Frederick Moulton
Estudo sobre literatura erótica em Inglaterra

7. Twilight - Complete Series, de Stephenie Meyer
Contos sobre vampiros

8. How To Get Anyone To Say YES - The Science Of Influence, de Kevin Hogan
Manual sobre técnicas de persuasão

9. Nude Photography - The Art And The Craft, de Pascal Baetens
Manual sobre este tipo específico de fotografia

10. Fix It - How To Do All Those Little Repair Jobs Around The Home
Manual sobre bricolage

Fonte: Freakbits e Amazon

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Dan Brown explica símbolo da maçonaria na nota de dólar


A maçonaria é o principal ingrediente de seu novo livro 'O Símbolo Perdido'.
Trama se passa em Washington, cidade cheia de símbolos da maçonaria.

Um dos melhores contadores de história do mundo dedica seu novo livro a uma religião secreta rodeada de polêmicas. O Fantástico conversou com Dan Brown para entender como a maçonaria atraiu uma lista tão grande de líderes históricos, e por que ainda é acusada de ter um pé no satanismo.



Visite o site do Fantástico

O mistério da maçonaria é o principal ingrediente do novo sucesso do escritor Dan Brown, "O Símbolo Perdido". O autor do megasucesso "O Código Da Vinci", contou ao Fantástico que no livro anterior ele pergunta o que aconteceria se Jesus não fosse divino, mas apenas um profeta. No novo romance, a questão é se o ser humano teria poderes divinos, uma ideia que segundo ele vem da maçonaria.

Toda a trama, cheia de peripécias, perseguições e surpresas, se passa em um domingo à noite em Washington, a capital americana, uma cidade cheia de símbolos da maçonaria. Alguns são bem evidentes, como o obelisco, símbolo da divindade, com uma pirâmide, que representa a evolução dos seres humanos. A influência dos maçons se refletiu na criação da biblioteca do Congresso americano, hoje a maior do mundo.

Um dos momentos mais emocionantes do livro é quando os heróis entram no salão de leitura da biblioteca do Congresso americano, descrito como o salão mais bonito do mundo. Eles estão fugindo de uma equipe da SWAT e se escondem entrando por uma porta.



A república americana foi criada por um grupo de maçons, entre eles Benjamin Franklin, John Adams e o primeiro presidente, George Washington.

Um dos templos da maçonaria na cidade, onde os murais mostram o fundador da nação com o avental de pedreiro dos maçons lançando a pedra fundamental do capitólio, é o prédio do Congresso americano.

Dólar

Dan Brown lembra que o símbolo mais sagrado da nação, que está nas notas de dólar, é a pirâmide da maçonaria, encimada por um olho que simboliza a sabedoria. Segundo o escritor, a pirâmide incompleta, sem o vértice, é um símbolo de que o ser humano, e o país, nunca estão prontos, sempre podem se aperfeiçoar.



O escritor destaca que, ao contrário do que muitos acreditam, os Estados Unidos não foram fundados como uma nação cristã.


Os fundadores eram maçons que seguiam o deísmo, uma religião universal que usa os símbolos de todas as crenças, e acredita que todos os homens nascem iguais, com o direito à liberdade de culto.

Sobre o altar do templo maçom, estão os livros das principais religiões: não só a bíblia cristã, como a torá dos judeus, o corão dos muçulmanos, e as escrituras de outras tradições. O salão do templo, na capital americana, é o cenário da cena final do livro de Dan Brown, e certamente será recriado com muito mais colorido quando o filme for feito.

O templo é exatamente como Dan Brown descreve. No fundo, o trono do grande comandante soberano da ordem, o altar em torno do qual se realizam os rituais secretos. Mas os maçons negam que o iniciado tome sangue em uma caveira como Dan Brown conta no livro. Segundo eles, isso é só imaginação do autor.

Dan Brown diz que na verdade os maçons usam vinho em vez de sangue, mas insiste que a caveira é usada no ritual da quinta libação, escrito num livro por um dos primeiros presidentes dos Estados Unidos, John Adams.

O templo é a sede do rito escocês da maçonaria, uma corrente fundada nos Estados Unidos, à qual pertenceram 15 presidentes americanos. O último foi Gerald Ford, nos anos 70.

Os líderes são mestres do grau 33, o máximo a que se pode chegar na maçonaria. Dan Brown explica que esse é um número místico, a idade de Cristo ao ser crucificado, e o número de vértebras da nossa coluna vertebral.

Muitos, em especial os fundamentalistas cristãos, atacam a maçonaria como um culto satânico, mas Dan Brown insiste que os símbolos e rituais da maçonaria não são sinistros nem malignos. Pelo contrário, significam tolerância religiosa e espiritualidade universal.

Para Dan Brown, o importante é que as pessoas procurem entender os símbolos e as crenças dos outros, e tenham menos preconceitos.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Confira os livros que deram o falar em 2009

"Honoráveis Bandidos"

Biografia não autorizada do senador José Sarney, lançada pela Geração, foi o livro mais vendido em 2009 na Livraria da Folha. O autor Palmério Dória começou a escrever nova obra.

"Caim"

O escritor português José Saramago voltou a provocar a Igreja Católica com sua versão irônica sobre as escrituras sagradas, reacendendo o debate sobre os limites do ateísmo.

"O Símbolo Perdido"

O escritor norte-americano Dan Brown emplacou mais um best-seller, despertando no mundo inteiro o interesse pelos segredos da maçonaria e pela noética.

Box Série "Crepúsculo"

O frenesi com o filme "Lua Nova" bombou os quatro livros da série vampiresca de Stephenie Meyer, novo fenômeno depois de J.K Rowling, criadora da série Harry Potter.

Trilogia "Millennium"

A trilogia do sueco Stieg Larsson (que morreu em 2004) sacudiu a poeira nas estantes de romances policiais. Até briga em família surgiu com o sucesso da série.

"Leite Derramado"

Quarto romance de Chico Buarque, que o autografou na Flip, venceu prêmio e ganhou tradução. Fãs se deliciaram ainda com "Histórias de canções - Chico Buarque", de Wagner Homem.

"Manual da Paixão Solitária"

Moacyr Scliar venceu o prêmio Jabuti 2009 com este romance, lançado no fim de 2008, que reaviva passagem bíblica sobre o patriarca Judá. O colunista da Folha embolsou R$ 30 mil.

"O Compromisso"

A alemã Herta Müller, de origem romena, foi a 12ª mulher a ganhar um Nobel de Literatura. O número de premiadas foi recorde (5, incluindo ainda Economia, Química e duas em Medicina).

"Michael Jackson - A Magia e a Loucura"

Livro de 2005 escrito pelo biógrafo de celebridades J.Randy Taraborrelli chegou a esgotar nas livrarias após a morte de Michael Jackson. Foi o título sobre o cantor mais vendido.

"Filha, Mãe, Avó e Puta"

Gabriela Leite criou a grife Daspu, incomodando a poderosa grife Daslu. Em sua autobiografia, ela conta sua trajetória tudo sobre os bastidores da prostituição. Vem filme por aí

"O Aniversário de Asterix e Obelix: o Livro de Ouro"

Novas aventuras do Asterix, herói baixinho e bigodudo, chegaram ao mercado no aniversário de meio século do personagem criado pelo quadrinista francês Albert Uderzo.

"Ó"

Tiragem não é tudo. Nuno Ramos levou R$ 100 mil do prêmio Portugal Telecom 2009 com este livro híbrido, em que mescla gêneros como conto, ensaio e poesia.

"Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa"

O novo acordo ortográfico exigiu a compra de dicionários atualizados pelos brasileiros, que se acostumaram a escrever "ideia", "voo", "assembleia", dispensando os acentos.

"Clarice,"

O mundo descobre a obra da escritora Clarice Lispector (1920-1977) mais de 30 anos após sua morte, graças à biografia escrita pelo americano Benjamin Moser.

"Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão"

O Vaticano deu a largada para criar um santo brasileiro, a fim de conter a ofensiva evangélica no país, revelou o biógrafo Lira Neto, que fez sucesso também com"Maysa".

"A História de Lula: O Filho do Brasil"

Denise Paraná enxugou sua tese de doutorado, fez novas entrevistas e lançou livro antes da estreia do filme sobre o presidente. O livro do inglês Richard Bourne também embarcou na onda.

"O Seminarista"

É o primeiro livro brasileiro com versões para plataformas eletrônicas (iPhone e Kindle). O recluso escritor mineiro Rubem Fonseca conta a história de um matador de aluguel.

"Como Sobreviver a 2012"

O aquecimento global motivou diversos recortes no mercado editorial. Dos títulos sobre o fim do mundo, embalado por filme-catástrofe, até "Superfreakonomics", que relativizou os temores.

"Espírito Santo"

Foi o livro mais barulhento na área de segurança pública. A obra virou motivo de desgaste para autoridades capixabas, após oficiais da Polícia Militar pedirem a renúncia do secretário Rodney Miranda, um dos autores do livro.

"O Pequeno Príncipe"

O livro que inspira crianças e adultos ganhou exposição no Ibirapuera, difundindo as lições do francês Saint-Exupéry. "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Livros da coleção Aplauso ganham versão online gratuita


A coleção Aplauso, editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, lançou um novo capítulo em comemoração aos cinco anos de existência. Ela ganhou uma versão online e os livros podem ser baixados gratuitamente pelos internautas. No total, 170 dos 200 livros publicados desde 2004 estão disponíveis para download.

São roteiros, biografias de artistas, atores, cineastas, dramaturgos, roteiros de cinema e de teatro e histórias de emissoras de TV acessíveis para qualquer um. Um dos títulos publicados há pouco tempo foi a biografia de Fernanda Montenegro, que completou 80 anos em 2009.

Para ver os livros e baixar os arquivos em PDF, é só acessar o site http://aplauso.imprensaoficial.com.br.

Como dica, além do livro sobre Fernanda Montenegro, vale dar uma olhada também nas biografias de Mazzaropi, Fernando Meirelles, Beatriz Segall, Tony Ramos, Wagner Tiso e Raul Cortez. Uma das edições conta a história da TV Tupi, e há ainda os roteiros dos filmes "Estômago" e "Feliz Natal". Boa leitura

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Capa do sétimo e último livro da saga de Harry Potter


Harry Potter foi eleito o livro da década, com 44% dos votos. Importante dizer que foi seguido de perto pelo romance de Dan Brown O Código da Vinci, que teve 35% da preferência do internauta que participou da Retrospectiva 2000-2009 do estadao.com.br, para escolher o livro da década. Dois best sellers.


O mundo da literatura é quase sempre reticente em relação a eles, como disse Luis Marcelo: "nem sempre os mais vendidos refletem a grandiosidade da obra". Até concordo, mas prefiro acreditar em outros sinais. Um deles é a maneira como J.K. Rowling e Dan Brown contam uma história, como se o leitor fizesse parte daquele mundo misterioso e pudesse até influir nas descobertas e ações do poderoso herói, criando uma linguagem própria entre os fãs da obra. Mesmo sem ser, aponta para um estilo de obra interativa. É o universo da internet começando a contaminar as páginas da literatura no século 21.



A saga de Harry Potter é compulsiva como navegar na internet. Impossível parar de ler. JK Rowling prendeu seus leitores durante sete anos, contando uma história em sete volumes com mais de 3 mil páginas. Além disso, no intervalo entre um livro e outro Hollywood lançava uma adaptação para as telas com os heróis crescendo junto com os fãs, da infância à juventude. Mais que isso. Rowling estabeleceu um diálogo inusitado com seu público usando habilmente as ferramentas dos internautas, com sites interativos, leituras e entrevistas pela web, blogs, games e tudo o mais. Não dá para saber se seus leitores seguiram lendo mais e mais livros, mas não parece haver dúvida de que essa saga tenha sido a marca de uma geração.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Confira os 10 autores que mais venderam livros na última década


JK Rowling, autora dos livros da saga Harry Potter, é a escritora que mais vendeu livros na última década com 29.084.999 de cópias vendidas. Ele lidera o ranking com mais do que o dobro dos números do segundo colocado, o escritor inglês Roger Hargreaves, que vendeu 14.163.141 de exemplares, segundo o jornal inglês The Guardian.

No terceiro lugar, vem o autor Dan Brown, autor de Anjos e Demônios e O Código Da Vinci . O brasileiro Paulo Coelho aparece na 85ª posição, com 2.229.564 de livros vendidos. Autores clássicos, como William Shakespeare, também aparecem na lista. O poeta inglês está em 45º.

Confira os 10 autores que mais venderam livros na última década
1 JK Rowling 29.084.999
2 Roger Hargreaves 14.163.141
3 Dan Brown 13.372.007
4 Jacqueline Wilson 12.673.148
5 Terry Pratchett 10.455.397
6 John Grisham 9.862.998
7 Richard Parsons 9.561.776
8 Danielle Steel 9.119.149
9 James Patterson 8.172.647
10 Enid Blyton 7.910.758

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Nos caminhos da invenção


O prêmio Nobel de Literatura, todo ano, parece mandar sinais para o mundo. Pode confirmar uma tendência ou apontar nova direção, mesmo que controversa. Desta vez ele surpreendeu e saiu para a escritora romena Herta Müller, pouco conhecida no Brasil. Dela foi relançado seu único romance traduzido por aqui, O compromisso. No ano em que se comemoraram os 20 anos da queda do Muro de Berlim, o romancista Ingo Schulze, com Vidas novas, mostrou como a literatura pode escrever a história do nosso tempo com profundidade, sem precisar apelar para a ideologia. Foi uma indicação de que ficção e realidade estão cada vez mais fundidas na literatura contemporânea. E um sinal que sintetiza bem o ano literário.

Na prosa de ficção no Brasil, o livro de maior destaque foi o romance Leite derramado, de Chico Buarque. No monólogo de seu personagem, um homem velho e decadente que agoniza, a força da linguagem ancora uma visão profunda da formação brasileira e de seus descaminhos. Dois mestres octogenários voltaram a publicar este ano, Dalton Trevisan, com o livro de contos Violetas e pavões, mais político que nunca, e Rubem Fonseca, que mostrou pegada na novela O seminarista. Confirmando o posto de um dos mais interessantes escritores brasileiros, Alberto Mussa lançou Meu destino é ser onça, recriação preciosa de mitos indígenas.

O artista plástico Nuno Ramos venceu um dos mais importantes prêmios literários do Brasil, o Portugal Telecom, desbancando com seu inclassificável Ó nomes de ponta da literatura brasileira e portuguesa. Não se trata de um estreante, mas de um criador mais prestigiado no campo das artes visuais e mesmo da música popular. Foi um exemplo de que as fronteiras não seguram mais territórios defesos. Entre os novos, destaque para A passagem tensa dos corpos, de Carlos de Britto e Mello, que venceu o Prêmio Minas Gerais de Literatura, um romance forte e inventivo, com extrema maturidade no tratamento do tema da morte.

Para desanuviar, uma certeza gaiata: ninguém tira o título de livro mais divertido do ano de Reinaldo Moraes, com seu deboche épico Pornopopéia. Sexo, drogas e literatura, como os beats e Bukowski faziam. Só que muito mais engraçado

• Capítulos de vida
As biografias, que a cada ano conquistam mais leitores, tiveram também safra de qualidade. O mais impressionante de todos os trabalhos no gênero foi Clarice, do americano Benjamin Moser. Além de reconstituição da vida da escritora, com revelações importantes de sua infância e juventude, o livro apresenta uma interpretação sofisticada de sua literatura, com ênfase na marca da cultura judaica na visão de mundo da escritora. Lira Neto lançou o excelente Padre Cícero – Poder, fé e guerra no sertão, que equilibra o lado místico e político do religioso nordestino. A vida de Mário de Andrade foi tema de dois livros importantes, a autobiografia imaginária Pauliceia dilacerada, de Mário Chamie, e a reunião das cartas trocadas entre o escritor paulista e Pio Lourenço Corrêa entre 1937 e 1945, reunidas no belo volume Pio & Mário, diálogo da vida inteira.

• Ano de Euclides
A lembrança do centenário de morte de Euclides da Cunha deu origem a uma série de lançamentos de qualidade, a começar pela nova apresentação da obra completa do autor de Os sertões pela Nova Aguilar, substancialmente aumentada em relação à anterior. Parte menos conhecida da obra do escritor, os versos de Euclides da Cunha ganharam livro organizado por Leopoldo Bernucci e Francisco Foot Hardman, Poesia reunida, com cuidadoso aparato crítico. No campo dos ensaios sobre o autor destacam-se Euclidianos e conselheiristas – um quarteto de notáveis, organizado por Walnice Nogueira Galvão, que também lançou a coletânea Euclidiana – Ensaios sobre Euclides da Cunha. A relação de Euclides com a Amazônia é tema de A vingança da hileia, de Francisco Foot Hardman. A historiadora Mary del Priore voltou ao drama da morte do escritor em Matar para não morrer, que gerou polêmica pela ameaça de censura familiar que vem, tristemente, rondando a inteligência brasileira.

• Tempo de evolução
As publicações sobre ciência também conquistaram espaço. O bicentenário de Darwin motivou o lançamento de estudos na área da chamada alta divulgação científica, produzida por pensadores interessados em se comunicar com o leitor não técnico. Os melhores foram O maior espetáculo da Terra – As evidências da evolução e A grande história da evolução, ambos de Richard Dawkins, que deixou sua cruzada antirreligiosa de lado para mostrar o que faz de melhor, e O que é evolução, de Ernst Mayr, o mais importante evolucionista do século passado. Duas ciências que nem sempre têm status reconhecido foram alvo de bons livros, O andar do bêbado – Como o acaso determina nossas vidas, de Leonard Mlodinow; e Em busca da memória, de Eric R. Kandel, que pode falar com autoridade em primeira pessoa sobre o nascimento da ciência da mente. Livro rico em informação, para chegar ao estudo da memória mostra um caminho que passa pela psicanálise, psicologia cognitiva, neurociência e biologia molecular.

• Volta ao mundo
Quem quiser conhecer o mundo pode se sentar na poltrona. Os lançamentos internacionais este ano apresentaram obras de grande qualidade e reveladoras de múltiplas culturas. Da Nigéria vem O mundo se despedaça, de Chinua Achebe, um dos mais importantes escritores africanos da atualidade. O egípcio Alaa Al Aswany chega aos leitores brasileiros com O edifício Yacubian, uma metáfora da sociedade de seu país. Da literatura árabe para a judaica, destaque para o melancólico Cenas da vida da aldeia, de Amós Oz, e A mulher foge, de David Grossman. Ainda na mesma inspiração, Philip Roth teve lançado no Brasil o amargo romance Indignação. O incansável português José Saramago, aos 87 anos, tascou logo dois livros este ano: a reunião de textos de seu blog em O caderno e o romance iracundo contra Deus, Caim, que tem raiva, mas não perde o humor. O melhor lançamento de autor estrangeiro fica com os três volumes das entrevistas de Jorge Luis Borges a Osvaldo Ferrari.

• Feitos para pensar
A morte de Claude Lévi-Strauss deixou o mundo menos inteligente. No entanto, o legado da geração que bebeu em sua fonte manteve o interesse, como atestam duas publicações de referência, o Vocabulário de Foucault, de Edgardo Castro, um completo estudo do sistema do mais antissistemático dos pensadores contemporâneos, e a nova edição do fundamental Deleuze, arte e filosofia, de Roberto Machado. O pós-estruturalismo se mostra não apenas vivo e atual, como limpo das marcas pedantes de seus epígonos. No campo da sociologia política, Demétrio Magnoli lançou Uma gota de sangue – História do pensamento racial. Pode-se discordar do autor, mas sua argumentação é sólida e sua erudição sobre o tema coloca um desafio intelectual aos defensores da política de cotas e das ações afirmativas. Cidade de quartzo, de Mike Davis, faz do estudo da cidade de Los Angeles uma arqueologia dos impasses da contemporaneidade. A psicanalista Maria Rita Kehl tirou a depressão do divã e a colocou no olho da rua como um sintoma social do qual ninguém está protegido, no melhor ensaio do ano

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Além de alimentar a cachola, livros podem ser úteis para dispensar inconvenientes nas areias


Afinal de contas, onde Djavan estava com a cabeça quando veio com essa conversa de dia frio e bom lugar para ler um livro? Certo, ninguém nega o valor de uma leitura ao lado de uma lareira, mas é só na praia que os livros conseguem mostrar a extensão de suas possibilidades: além de passatempo, cultura e informação, servem também para afastar inconvenientes na areia.

O método é conhecido em inglês como book off, onde book (livro) substitui um termo ofensivo. Em português, há quem chame de “livro-me de ti”. O procedimento é simples: quando a pessoa vê-se aborrecida pela conversa maçante, mas é simpática demais para mandar embora o interlocutor indesejado, apenas saca o livro da bolsa e começa a lê-lo.

– É claro que eu não levo o livro para a praia só para isso, mas eu deixo à mão justamente para puxar rapidinho nessas situações – diz Graziela Ribeiro, frequentadora da Joaquina.

Em alguns casos, a defesa proporcionada pelo livro funciona de maneiras mais sutis. Daniele Debus Rodrigues conta que nunca precisou afastar ninguém. Mas sabe que o livro, seu fiel companheiro, pode ajudar em caso de necessidade.

– Aqui na praia eu me perco mesmo no livro, me deixo levar e desligo um pouco do que está em volta. É por isso que prefiro ler assim. A leitura flui bem mais do que em outros ambientes. Como disse uma voz que escutei aqui na areia, praia é onde não se faz nada; aí nada perturba a leitura – conta.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

a autora apresenta aos leitores um olhar sobre o amor fadado a uma eterna espera sob a perspectiva feminina.


Aos dez anos, Júlia Capovilla praticava vorazmente o amor fictício, cultivando um vasto elenco de amantes imaginários. Esperava-os penteada, vestida com toda combinação de peças de que podia dispor entre as próprias e as deixadas pela mãe. Os lábios, lambuzados de cor-de-rosa, cheiravam a framboesa, e no rosto, o incêndio da correria, do susto, da ousadia de sair de casa dizendo que ia ao armazém comprar rapadura, merengue ou figurinha, e tomar o rumo da estação. Depois, perambulava com seus pares invisíveis por ruelas vazias e terrenos baldios, tomando cuidado pra que ninguém os notasse — não achava graça em brincar de amores que não fossem clandestinos.

Escritora, jornalista e dramaturga, a gaúcha Manoela Sawitzki conquistou o público e a crítica com o elogiado Nuvens de Magalhães – publicado em 2002, quando ela tinha 24 anos – e a peça Calamidade, que originou uma premiada montagem em Porto Alegre. Em seu segundo romance, SUÍTE DAMA DA NOITE, a autora apresenta aos leitores um olhar sobre o amor fadado a uma eterna espera sob a perspectiva feminina.
A protagonista é Júlia Capovilla, que conduziu sua vida para o decisivo momento em que reencontraria Leon, por quem se apaixonara ainda menina. Quando o destino finalmente os reúne, ela descobre que ele está prestes a se casar com outra e se dá conta de que a única forma de mantê-lo em sua vida é tornar-se sua amante. A partir de então, os únicos momentos de alegria na existência de Júlia acontecem na cama, a cada crepúsculo, na suíte Dama da Noite.
O livro surgiu de uma vontade de entender melhor a espera amorosa, segundo a autora. “Fala-se muito sobre o amor, como começa e acaba, mas aquilo que o precede, a espera, o hiato entre o desejo e a realização pode ser uma coisa brutal.” Inspirada nas heroínas românticas e trágicas, como Madame Bovary, Julieta e Ofélia, Manoela construiu uma personagem movida pela paixão, mas que consegue ao Presa aos laços de uma mãe ausente, um pai doente, uma tia cuidadosa, um amante omnipresente mas inacessível, Júlia é uma personificação da espera, da sensação de incompletude. Uma história que mistura confissão e vivência, redemoinho e salvação. Nas palavras do escritor angolano Ondjaki, que assina a orelha do livro: “Manoela Sawitzki inscreve assim, na literatura contemporânea brasileira, um poderoso retrato das querenças, relações e contradições humanas, partindo do olho de um oculto furacão chamado Júlia Capovilla.”

Natal na sua maior pureza


Está a aproximar-se a época natalícia mas, por ora, decidi não falar de renas, de meias na chaminé nem do Pai Natal. Decidi falar de algo intangível mas imprescindível que se escreve na última linha deste delicioso livro: A Generosidade faz bem á alma!

Este livro infanto-juvenil é um clássico escrito em 1964 que se tornou eterno nas mãos do escritor e ilustrador norte-americano Shel Silverstein e que conta a história de uma árvore e de um menino. Nada mais óbvio, que é como descrevo a obra: bonita e simples. Com poucas palavras, Silverstein fala da relação entre o homem e a natureza, onde uma árvore oferece tudo a um menino, que a deixa de lado ao crescer, ao mesmo tempo que se torna num homem egoísta.

Todavia, para agradar ao menino que ama, a generosidade da árvore demonstra ser inesgotável - ainda que tal signifique a sua própria destruição. Num mundo actual onde reinam os estereótipos e se esquecem as ve rdades irrefutáveis da vida, por favor leiam este livro. É tão simples que nos arrepia, que nos entristece e nos contagia. Está lá tudo, como pomos de terra verde: a crueldade humana, a cegueira do nosso egoísmo e a destruição da natureza que nos prenda no dia-a-dia.

Vão folheá-lo com uma sensação de leveza de uma folha ao vento e vão sentir-se pesados como uma rocha, uma rocha que chora. É triste e melancólico, dirão alguns. Este livro é Natal na sua maior pureza, responderei. Parabéns à Bruaá por reeditá-la. a grandeza está na simplicidade do que criamos, na beleza do que partilhamos.

O facto da obra abordar o tempo, a morte, a vida, a relação amorosa e de amizade com sobriedade narrativa e ilustrativa, tornam-na única e imprescindível. É um dos meus livros preferidos. Sejam generosos e ofereçam-no.

boa semana, boa leitura e um Feliz Natal!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Lobisomens e anjos podem estar prestes a invadir a sua vida


Não há como negar que 2009 foi o ano dos vampiros, nas telas e nas prateleiras. A febre das criaturas sedentas de sangue começou a ganhar contornos claros por aqui com a estreia da saga "Crepúsculo" nos cinemas brasileiros, há exatamente um ano. O primeiro filme custou US$ 37 milhões e faturou US$ 385 milhões em todo o mundo, o suficiente para que a Summit Entertainment, estúdio responsável pela adaptação, produzisse a toque de caixa dois novos capítulos. O que se viu a partir daí foi uma overdose de reportagens, entrevistas e capas de revista que culminaram, no final de novembro, no segundo filme, "Lua Nova". O resultado dessa superexposição só podia ser um: sucesso.
Em menos de um mês, "Lua Nova" arrecadou US$ 628 milhões em bilheteria e entrou para a história como a terceira melhor estreia de todos os tempos nos Estados Unidos. O evidente avanço nos efeitos especiais – fruto do orçamento vitaminado – e o início de um triângulo amoroso entre Bella (Kristen Stewart), o vampiro Edward (Robert Pattinson) e o lobisomem Jacob (Taylor Lautner) atiçou as mulheres a correrem para as salas e assistirem mais de uma vez o longa-metragem.

E aí reside parte do fascínio da série. A trama criada pela escritora Stephanie Meyer tem especial apelo para as adolescentes, que encontram uma variação romance clássico esquecido no dia-a-dia moderno. Gentil, misterioso, leal e conservador, Edward ama Bella sem limites, mas ao mesmo tempo procura nem beijá-la, receoso de que possa feri-la de alguma forma. Ele nem mostra os caninos. Sexo, então, está fora de questão. Um amor casto, idealizado, que arranca lágrimas das românticas de plantão – não por acaso, 75% do público do primeiro filme era feminino. Não é difícil prever que boa parte dessas garotas levou o namorado para ver a sequência e voilà, temos um campeão de bilheteria.

Mas não é só no cinema que "Crepúsculo" encontra seus fãs, muito pelo contrário. A quarta e última parte da série, "Amanhecer", chegou em junho às livrarias brasileiras com uma tiragem de 400 mil exemplares e desde então segue firme no pódio dos livros mais vendidos no país, acompanhada pelos outros três episódios, todos no Top 10. No total, 85 milhões de cópias da saga foram comercializadas ao redor do planeta.

E não para por aí. Mesmo com a tetralogia oficialmente encerrada, Stephanie Meyer tem mais cartas na manga para manter a franquia viva: o guia oficial da série de livros, previsto para o final de 2010, e "Sol da Meia-Noite", a primeira obra recontada do ponto de vista de Edward, embora o projeto tenha sido temporariamente interrompido porque os capítulos iniciais vazaram na internet. Sem contar a continuação nos cinemas – aguente firme que "Eclipse", a terceira parte, estreia em junho.

Sangue, suor e sexo

Se a castidade é uma das características de "Crepúsculo", o sexo ajudou a construir a fama de "True Blood", o mais bem-sucedido programa do segmento na televisão norte-americana. Baseado na série de livros "The Southern Vampire Mysteries", de Charlaine Harris, o seriado se passa no sul dos EUA, na fictícia cidade de Bons Temps, em Louisiana, e traz uma novidade: os vampiros saíram do armário e andam livremente pelas ruas.

Tudo porque os japoneses criaram um sangue sintético chamado True Blood, vendido em garrafas estilosas disponíveis em qualquer posto de conveniência, que permite aos vampiros se alimentar sem sair por aí dilacerando gargantas. Na história, que já teve duas temporadas, a garçonete telepata Sookie Stackhouse (Anna Paquin, ganhadora do Globo de Ouro pelo papel) começa a se relacionar com o centenário vampiro Bill Compton (Stephen Moyer), de volta à casa de seus antepassados. O clima quente do Mississipi é cenário para muita nudez, suspense e política.

Divulgação

Versão em refrigerante, 0+, de Tru Blood

Sim, política, porque um dos panos de fundo da série é a luta pelos direitos constitucionais dos vampiros, discriminados por uma parcela da sociedade e perseguidos por grupos religiosos de extrema direita, paramilitares no caso mais extremo. Os diálogos pedindo igualdade são uma alegoria evidente da causa homossexual, e não por acaso o criador e roteirista de "True Blood", Alan Ball ("A Sete Palmos"), é reconhecido como um ativista do movimento GLBT.

Isso não ofusca, no entanto, a diversão e o sucesso do programa, que driblou o marketing convencional ao lançar no mercado uma versão da bebida que lhe dá nome – "Tru Blood" é um refrigerante sabor laranja, mas vermelho, espesso e com um esclarecedor "O Positivo" estampado no rótulo. No Brasil, até agora estão disponíveis apenas os dois primeiros volumes da série de livros (que está indo para o 11º lá fora): "Morto Até o Anoitecer", da Record, e "Vampiros em Dallas", pela Arx.

Enxurrada nas livrarias

A televisão também teve este ano a estreia de outra telessérie baseada na literatura, mais uma vez pelo viés adolescente. "The Vampire Diaries" chegou em setembro à progração do canal CW e de cara conquistou a melhor audiência da rede. Na trama, o vampiro Stefan Salvatore retorna à pequena cidade de seus ancestrais e tem de enfrentar seu malévolo irmão enquanto se relaciona com a jovem Elena, ainda no colégio, idêntica a um grande amor do passado.

O seriado está nas mãos de Kevin Williamson, um dos responsáveis pela retomada do terror na década de 1990, com a trilogia "Pânico" e "Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado", além do sucesso "Dawson's Creek". Dos livros de "Vampire Diaries", escritos por L.J. Smith, dois foram lançados no mercado nacional como "Diários do Vampiro" – "O Despertar" e "O Confronto".

Outro representante desse fenômeno editorial a respingar no Brasil é a "A Casa da Noite" ("House of Night"), que já vendeu 5,5 milhões de cópias. P.C. Cast e sua filha, Kristin Cast, a princípio pretendiam escrever nove capítulos da série, mas, graças à boa aceitação, aumentaram esse número para 12.


Os livros seguem uma garota de 16 anos que descobre ser uma vampira e passa a frequentar a Casa da Noite, escola para jovens sugadores de sangue, onde precisa se acostumar à nova realidade, seus poderes e se afastar dos antigos amigos, em um argumento que lembra bastante o Harry Potter de J.K. Rowling. "Marcada" e "Traída", os dois primeiros volumes, estão disponíveis em português pela editora Novo Século.

Por falar em Harry Potter, que conquistava fãs antes mesmo de ser traduzido, outras duas séries já vem garantindo seu nicho nos originais em inglês. Trata-se de "Vampire Kisses", de Ellen Schreiber, cujo sexto volume, "Royal Blood"; e "The Morganville Vampires", de Rachel Caine, que já tem sete livros, três deles lançados em 2009.

Nada de parar tão cedo

As prateleiras podem estar cheias, mas os cinemas ainda vão continuar recebendo em 2010 toda a influência deste momento fértil para os dentuços. O primeiro deles é o filme infanto-juvenil "Cirque du Freak: O Aprendiz de Vampiro", que estreia em 15 de janeiro. A história é baseada na série de livros "Circo dos Horrores", editada pela Rocco, e conta como um vampiro de circo (John C. Reilly) convence um garoto de 14 anos a ser seu assistente. Ainda no elenco, Salma Hayek, Ken Watanabe, Willem Dafoe e Patrick Fugit.

Outra novidade é a refilmagem do longa sueco "Deixa Ela Entrar", um dos melhores filmes do ano, que vai ganhar uma versão em Hollywood. No original, dirigido por Tomas Alfredson, um menino de 12 anos tem problemas em fazer amigos e acaba se aproximando de uma misteriosa vizinha do bairro, jovem como ele, mas uma vampira. Sem abrir mão do suspense, a produção revela, desprovida qualquer pieguice, como a relação dos dois evolui. O remake está a cargo de Matt Reeves ("Cloverfield") e deve ficar pronto até o fim de 2010.

Seguindo o caminho dos tijolos amarelos, a produtora de "Crepúsculo" vai continuar investindo no filão e pretende realizar ao longo do ano um filme de ação baseado na vida do príncipe romeno Vlad Tepes, O Empalador, que viveu no século 15 e inspirou Bram Stoker a escrever "Drácula". Segundo o autor do roteiro, Charlie Hunnam, a história deve ser mais realista, mostrando os fatos que deram origem à lenda do Conde Drácula.

O projeto mais animador, no entanto, está na oitava colaboração entre o diretor Tim Burton e o astro Johnny Depp. A dupla vai encabeçar uma adaptação do seriado "Dark Shadows", famoso na televisão norte-americana na década de 1960 ao levar para as telas um universo similar a "Além da Imaginação", mas privilegiando ambientes soturnos e criaturas como fantasmas, bruxas e lobisomens. Depp interpretará o vampiro Barnabas Collins, personagem recorrente e uma das figuras mais célebres do seriado. O início das filmagens está previsto para setembo e pode se esperar o que sempre acontece quando os dois se juntam – apuro visual, grandes interpretações e muita originalidade.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Mito de Clarice se agiganta tanto quanto os romances que escreveu




“Clarice,” (assim mesmo, com a vírgula, numa referência ao estranho parágrafo inicial de um de seus romances), escrito pelo americano Benjamin Moser e publicado pela Cosacnaify, é o livro do Natal, das férias de verão e também – por que não? – o livro do ano. Indicado para quem gosta de biografias, um gênero ainda muito bem-sucedido nas livrarias reais e virtuais, deve ser devorado por quem gosta de literatura nacional ou universal e precisa ser descoberto por aqueles que simplesmente se deixam levar por um texto bem escrito.
Apesar das 648 páginas em papel pólen, da capa dura que lhe dá uma aparência solene e na qual só se vêem os dedos da escritora batucando uma máquina de escrever e da ausência quase total de imagens, a obra merece entrar na bagagem de qualquer leitor adulto. Apenas porque é um grande livro, em todos os sentidos.

Clarice Lispector (1920-1977) morreu quando Benjamin Moser tinha um ano de idade. Como muitos leitores ao longo das últimas décadas, Moser foi capturado pela ficção e pela mística de Clarice. Ela foi e ainda é o personagem mais misterioso da literatura brasileira, uma esfinge que o autor tentou desvendar com uma pesquisa de vários anos, entre viagens às diversas cidades do mundo por onde ela passou, na companhia do marido diplomata, e entrevistas com todas as pessoas importantes que a conheceram. Desse trabalho exaustivo surgiram algumas revelações.

Chamá-la pelo primeiro nome não é só um gesto característico de intimidade brasileira. Clarice Lispector parece falar ao coração de cada um dos seus leitores. Quem a lê também é convidado a preencher lacunas, usando a própria imaginação.

Ela foi uma vanguardista milagrosa já na estréia, aos 23 anos, com “Perto do Coração Selvagem”, o romance que inicia a sua busca por um significado, fosse ele artístico ou existencial, e que permitiu comparações com James Joyce. Moser dispõe os fatos com rigor, mas ao mesmo tempo os ilumina por meio de uma ideia central e muitas opiniões, o que retira qualquer frieza factual das coisas relatadas. De origem judaica, como a escritora que escolheu biografar, o biógrafo ata os fios partidos da história com essa perspectiva.

A Clarice de Moser é movida pela orfandade (perdeu o pai e a mãe ainda menina) e se divide entre os deveres de dona de casa e a carreira de escritora.

Foi também uma mulher à frente do seu tempo, separada, com dois filhos, ganhando a vida como jornalista e escrevendo uma ficção tão avançada que não só deslumbrava, mas assustava os contemporâneos, muito mais chegados a uma prosa de alcance social, em duas dimensões. Além de tudo, alta, loira, de beleza exótica e sotaque entre o russo e o pernambucano, ela era fisicamente uma atração.

A escritora deixou uma aldeia da Ucrânia ainda bebê, fugindo com a família dos pogroms soviéticos. Passou a infância no bairro judeu do Recife. “O que me mais me chamou a atenção no livro foi justamente a minúcia com que ele reconstrói esses inícios, tanto na Ucrânia como em Maceió e Recife. Também a reconstituição bem colorida e expressiva da comunidade judaica nesses lugares. E a intimidade que ele demonstra ter com o ambiente cultural brasileiro do século 20”, diz o tradutor José Geraldo Couto, que fez, aliás, um ótimo trabalho de adaptação do inglês para o português, sem perder a elegância e a naturalidade jamais.


Esse efeito, de uma cultura vista de fora por um olhar inteligente e acurado, é outro dos grandes trunfos do livro. Por “Clarice,” desfilam alguns dos personagens mais emblemáticos da cultura brasileira do século passado. E não só da cultura. O ex-presidente Jânio Quadros faz uma patética aparição num quarto de hotel, onde tenta agarrar a escritora e termina por rasgar-lhe o vestido.

O bebê e a salvação

A principal novidade revelada pela biografia é a história terrível do estupro da mãe de Clarice por soldados russos. Contraindo sífilis, ela passaria o resto da vida presa a uma cadeira de rodas. De acordo com a crença judaica, a vinda de um bebê poderia curar a mãe: Clarice nasce algum tempo depois e não consegue salvá-la. Segundo Moser, esta culpa primordial acompanharia a escritora por toda a vida, impregnando sua literatura.

Outro ponto sensível do livro diz respeito ao romance entre Clarice e o talentoso e problemático cronista e poeta mineiro Paulo Mendes Campos. Eles se apaixonaram e viveram um caso incandescente e rápido, que terminou mal para ela – Campos decidiu ficar com a mulher e os filhos, e os dois não se falaram mais. O jornalista Lucas Mendes divulgou involuntariamente a história de que teria havido censura na edição brasileira, atendendo a um pedido da família de Campos. Moser, de passagem pelo programa “Manhattan Connection”, apresentado por Mendes, teria comentado o romance dos dois escritores.

“Na conversa, ele disse que não queria ofender a mulher do Paulo e que tinha omitido a história na versão brasileira. Eu publiquei isto na coluna”, conta o apresentador. “Foi um erro, baseado num mal-entendido durante a entrevista. Pedi uma correção e ele o fez”, diz Moser. “Não houve censura, pelo contrário: este é o primeiro livro que conta essa história com detalhamento”, explica o editor Paulo Werneck, da Cosacnaify. “Era um segredo de polichinelo, ou nem isso, já que livros como ‘Ela é Carioca’, de Rui Castro, já o haviam mencionado. Benjamin pela primeira vez contou essa história de amor quase não consumada. Nenhuma das famílias exerceu pressão quanto a isso. Elas foram sensíveis à seriedade do trabalho”. Procurado pela reportagem do iG, Paulo Gurgel Valente, um dos filhos de Clarice, preferiu não comentar o assunto. O relato, discreto e curto, permaneceu na edição brasileira.

Outra das proezas de Moser é uma contradição. Se, por um lado, ele esclarece e ilumina passagens obscuras da vida de Clarice, por outro não consegue desmistificar a figura. É que a genialidade da escritora parece indomável. E sua vida se confunde com uma ficção estranhamente enraizada na vida real, sempre capaz de comover e subjugar a imaginação do leitor.

As críticas publicadas no exterior mostram um fenômeno em expansão. Clarice Lispector, espantosa nos mergulhos pessoais de uma literatura formidável e única, tende a assombrar cada vez mais os leitores de outros países. A partir de agora, não só pelas traduções que já foram feitas e tendem a se multiplicar. “Clarice,”, a biografia escrita com inteligência e sensibilidade por Benjamin Moser, é o livro perfeito para espalhar pelo mundo uma devoção que não para de crescer no Brasil.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Brasileiros associam leitura à ascensão social


Pesquisa revela que 35% dos entrevistados dizem conhecer alguém “que venceu na vida” através da leitura
A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, a maior já feita no país sobre hábitos dos leitores brasileiros, revela que 35% dos entrevistados dizem conhecer alguém “que venceu na vida” através da leitura. E desses 35%, 45% dizem que esse alguém que “venceu na vida” graças à leitura é da própria família; outros 41% que é um amigo, 5%, “alguém famoso” e 9%, “outras pessoas”. A pesquisa mostra que os exemplos familiares e do círculo social ainda são os maiores influenciadores na formação da imagem que o leitor médio brasileiro tem do livro e da leitura como ferramenta eficiente para a mudança de vida das pessoas.

A percepção de que a mudança de status social é possível através do livro e da leitura já havia sido antecipada pelas políticas públicas do governo federal, com ações como a desoneração em até 11% no PIS e Cofins sobre a produção do livro e especialmente via projetos como o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL).

Outras ações são a realização do Fórum Nacional Mais Livro Mais Cultura com foco no engajamento dos Estados e dos municípios através dos Planos Estadual e Municipal do Livro e da Leitura (PELL e PMLL) e o afunilamento da discussão do Fundo Pró Leitura, cujo projeto de lei será encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional em breve.

De iniciativa do Instituto Pró Livro, o censo foi realizado pelo Ibope Inteligência dentro de uma ação do PNLL com a coordenação do Observatório do Livro e da Leitura. Um primeiro trabalho nesse sentido já havia sido realizado, envolvendo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e outras instituições.

Mãe é principal influência

A influência da mãe (ou responsável mulher pela família) nos hábitos de leitura é preponderante: 73% das crianças citam as mães como maior influenciadora. Na resposta estimulada em que se podia escolher duas alternativas, a figura da mãe alcançou 49%, seguida pela da professora, com 33%; do pai com 30%; outro parente com 14%; amigo com 8%; padre, pastor ou líder religioso com 5%; colega ou superior no trabalho com 2%, outros com 3% e ninguém como influenciador de sua leitura, 14%. Apenas 1% disse não saber ou não opinou.

A pesquisa mostrou também que a família pode, inversamente, influir na formação de não leitores, quando os membros da família não oferecem o exemplo de ler ou não detém a posse de livros.

Luis Fernando Verissimo estreia no romance policial com "Os Espiões"


Luis Fernando Verissimo é uma espécie de unanimidade da crônica brasileira, no que ela tem de mais sublime. É capaz de escrever sobre tudo – de política à vida conjugal – com elegância e humor, dois atributos que não andam necessariamente juntos. O cronista Verissimo é um homem de frases e parágrafos aparentemente simples e inofensivos. Mas ele não engana ninguém: sente-se em casa com as palavras, e observa o mundo a partir dos pampas com um olhar cosmopolita, universal, e uma enorme capacidade para despertar o riso.
Já o romancista Verissimo sofre alguma resistência da crítica, que tem a ver com a superfície do que ele escreve. Na aparência, o cronista de frases e parágrafos límpidos não teria o físico dostoievsquiano – muito na moda entre as novas gerações – necessário para mergulhar fundo nas questões humanas. Ou seja, seria difícil levar o humorista a sério.

Isso é uma bobagem. Basta ler o novo "Os Espiões" (Alfaguara), primeiro romance policial do autor, que se passa no interior do Rio Grande do Sul, no lugar dos clássicos cenários de intriga internacional. Com a leveza e a simplicidade enganadora de sempre.

Na entrevista abaixo, Verissimo, até pouco tempo um entusiasta do fax, explica por email o nascimento de "Os Espiões", entre outras questões literárias.

"Os Espiões" não foi feito por encomenda. Em que ele se diferencia dos seus outros livros feitos a partir de um pedido da editora?
A gênese de um livro não interessa muito, interessa o resultado. Quando a editora dá o tema é um desafio a mais, mas de qualquer modo você é quem decide como vai desenvolvê-lo. A "encomenda" não vem com instruções.

Como é que este nasceu? O impulso inicial deve ter sido importante.
Eu tinha a primeira frase e uma vaga ideia do que queria, mas a trama foi nascendo à medida que eu escrevia.O impulso inicial foi a vontade de fazer um livro de espionagem que não fosse nem uma paródia nem um "thriller" de verdade. Saiu um livro de espionagem que se passa no interior do Rio Grande do Sul em vez de num cenário de intriga internacional, o que já define a sua ambição.

A história literária da família pesa na hora de escrever?
Não. Conscientemente, não.


Você sente algum esnobismo da crítica em relação à sua literatura, ao fato de ela se relacionar tão bem com o entretenimento?
Talvez "esnobismo" não seja a palavra certa. Há uma tendência a rotular o escritor, e aí tanto escritor quanto crítico têm dificuldade para escapar do rótulo. Mas não me preocupo muito com isso.

Pertence ao DNA familiar essa habilidade para escrever frases tão definitivas quanto a que abre "Os Espiões" (“Formei-me em Letras e na bebida busco esquecer”)?
A frase foi o ponto de partida do livro, literal e metaforicamente. E ela não é original. Os mais velhos a identificarão como uma paráfrase do "tornei-me um ébrio", do Vicente Celestino. O que só mostra a minha idade.

Há nele uma discussão engraçada sobre o papel da pontuação nos livros, bem como sobre a forma de contar histórias e outras, também artísticas. São questões que você também encara como escritor?
Todos os meus romances são, de um jeito ou de outro, sobre a relação do narrador com a narrativa e com os personagens, a velha questão do Flaubert sobre o lugar do autor no texto. Como escrevo sempre na primeira pessoa, um cacoete de cronista, posso comentar o que é narrado e brincar com o poder do autor e com as possibilidades da linguagem. Não sei se isto é compreendido, mas a intenção é esta.

Como é o leitor Verissimo? Afundado numa poltrona, junto a uma lareira crepitante? O que você gosta de ler? John Le Carré, tão citado no livro? Rubem Fonseca? Raymond Chandler? Miguel de Unamuno? Sylvia Plath? Ou nenhum dos anteriores?
Leio mais na cama, antes de dormir ou de manhã, antes de levantar. Tenho lido muito pouco por prazer, mais para me informar. Jornais e revistas, principalmente. Mas no momento estou conseguindo ler, com muito prazer, o último livro do Roberto Calasso, "Tiepolo pink", sobre pintura.

Conhece e aprecia as novas gerações de escritores brasileiros? A água do Rio Grande seria a responsável por tantos (e alguns muito bons) escritores gaúchos?
Conheço pouco os novos escritores. Sei que tem gente muito boa, mas estou desatualizado, infelizmente. O Rio Grande do Sul tem, mesmo, uma tradição de excelentes escritores. Talvez seja o chimarrão.

Acha que seu pai, Erico, é suficientemente lido e apreciado no Brasil?
Os livros do pai, reeditados pela Companhia das Letras, têm uma venda regular. Alguns mais do que outros, como "Olhai os Lírios do campo", que continua popular. Acho que houve uma reavaliação da obra dele, da importância do que ele fez. Um caso em que o rótulo foi abandonado.

E qual é o seu melhor escritor brasileiro?
Para mim, o melhor escritor brasileiro, hoje, é o Moacyr Scliar. Também gosto muito do Milton Hatoum.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Paulo Coelho põe livros para download e incentiva leitura solidária


Em seu blog, autor publicou links do projeto Pirate Coelho e recomenda que, se impressas, versões sejam distribuídas a hospitais e prisões.
O escritor Paulo Coelho colocou em seu blog links para download gratuito dos seus livros em versão PDF. O autor espera que, dessa forma, seus livros sejam usados para ajudar comunidades.

Os links foram obtidos a partir do projeto Pirate Coelho, um site que abriga uma coleção de livros do autor que estão em sites P2P.

Em mensagem publicada em seu blog, o escritor pede a quem baixar os livros que os imprimam e distribuam em livrarias locais, hospitais e prisões. Ele acredita que o projeto Pirate Coelho diz respeito a compartilhar pensamentos com pessoas que não podem comprar livros.

O autor, que se diz adepto do conteúdo livre, sugeriu aos leitores que gostarem dos textos que comprem os livros.

A coleção de livros para download inclui versões em português, inglês e espanhol, além de edições produzidas para Itália, Alemanha, Bulgária e Polônia.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Livros que combatem os estereótipos e conferem poder às mulheres chegam ao mercado infantil



Era uma vez uma linda princesa que podia escolher qualquer belo príncipe para se casar, mas optou por viver feliz ao lado de seus animais de estimação. O foco dessa mocinha não era o casamento. Esse conto, chamado “A Princesa Sabichona”, da inglesa Babette Cole, é um exemplo do que tem sido chamado, nos Estados Unidos e na Europa, de “literatura infantil feminista”. Trata-se de uma vertente de livros que embaralha os tradicionais papéis de meninos e meninas nas histórias para crianças e atinge dois objetivos de uma vez: agrada mais à garotada de hoje e liquida com a cultura patriarcal que reserva às meninas o papel de passivas e aos meninos o peso de matar o dragão ao final, sempre. Neste filão literário, os gêneros são equivalentes, como defende o movimento feminista, e o casamento como um ideal das mulheres é uma das ideias mais combatidas.
No Brasil, há poucos desses títulos à venda. “Esse poder das personagens femininas ainda é incipiente no País”, explica a psicóloga Jane Felipe, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “A maioria dos livros infantis ainda reforça uma feminilidade ligada ao cuidado com a beleza, ao ambiente doméstico, à fragilidade.” Mas no cotidiano, as coisas estão mudando. E quem tem filhos pequenos já percebeu.

IDEIAS ANTIGAS
A maioria dos livros ainda reforça a feminilidade
ligada à beleza e à fragilidade

Apontada como uma das principais incentivadoras dessa diferenciação entre meninas e meninos, a Disney resolveu mostrar que também está antenada com os novos tempos e criou a categoria “mulheres em papéis positivos” na Hyperion Books for Children, um selo de sua divisão de livros. O best seller nos EUA “Grace for President” (Grace para Presidente), de Kelly DiPucchio e LeUyen Pham, é um dos títulos. Se homens podem ser presidentes, mulheres também pelo menos de classe, como quer a personagem principal. “Livros como o meu mostram que houve progresso, mas há muito a fazer”, disse Kelly à ISTOÉ. “Não acho que 30 anos atrás meninas se perguntavam sobre mulheres na presidência. Mas o fato de ainda se perguntarem mostra que há barreiras culturais e políticas a serem superadas.” Kelly ressalta que a geração passada não leu histórias sobre meninas piratas, vampiras, astronautas ou sobre mães que trabalham, em vez de cuidarem da casa e dos filhos. Já as personagens de hoje até dirigem tratores, como no livro para colorir “Girls Are Not Chicks” (Meninas Não São Menininhas), de Jacinta Bunnell e Julie Novak. Jacinta teve a ideia de escrever para crianças quando era babá e se via recontando histórias que considerava sexistas. “Espero que as pessoas sejam mais críticas em relação aos produtos para as crianças e à maneira como eles introduzem (pre)conceitos cuja influência nem percebemos”, disse Jacinta.

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